um chocolate que se deixou cair ao chão. Ainda não são horas de me
levantar, mas já tomei o pequeno-almoço, já me vesti. Já estou pronta
para enfrentar algo que não esta dor que se vê nos olhos e que se sente
bem lá no fundo. Não queria que fosse assim. Queria "ficar bem". Queria
poder dizer mil e umas coisas como noutros momentos. Queria não
aborrecer os meus amigos com isto. Queria não estar sempre a falar no
mesmo. Mas é esta maldita dor e o amor.
Amor é fogo que arde sem se ver
[...]
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões
Se este poema não tivesse sido escrito há muitos séculos atrás...
Argumentaria que não quero perder, para ganhar. Que só queria ganhar o
que já supostamente me pertencia.
Argumentaria que deixei que conquistasse a minha lealdade, enquanto me
traía a mim própria, com esta dor.
Passa um pássaro na minha janela, que faz invejar a liberdade, mas
continuo presa por vontade.
Há quem lhe chame dependência. Eu não partilho essa palavra, embora
entenda o conceito.
Penso em quão cedo te queria abraçar esta manhã. Na vontade que tenho de
sentir o calor do teu peito. Mas não, não posso.
Penso no que te disse "Só damos valor quando perdemos". Só queria não
chorar. Olhar para a frente sem dor, sem medo. Que o inchaço nos olhos
desaparecesse. Não ter que fazer o esforço das próximas horas.
E já me habituaste tanto à tua presença, que me apercebo que desapareceu
o melhor amigo.
E dói, volta a dor, as lágrimas, a insegurança, a vontade de fugir.
Era só medir o que se diz. Era só pensar no que o outro poderá sentir.
Não era preciso mais nada. Só ponderação, ainda que na espontaneidade.
E obrigado à Black Panther, que me tem aturado.